A cannabis e seus canabinoides, além do efeito relaxante e ansiolítico, promovem bem estar para pacientes portadores de HIV sem controle adequado. Nesses pacientes, além de melhorar sono e apetite contribuindo para redução da perda de peso, os canabinoides proporcionam melhora do quadro de polineuropatia sensorial distal manifestada como dor neuropática induzida pela medicação antirretroviral [1] e apresentam influência direta na melhora da imunossupressão.
Estudo realizado pelo Department of Microbiology and Immunology, Virginia Commonwealth University, School of Medicine, publicado em março de 2015, demonstrou que os canabinoides inibem a adesão da proteína reguladora (TAt), de origem viral – HIV aos monocyte-like cells, células do sistema imune obtidos à partir de culturas de células em modelos experimentais. Estas células quando não tratados com agonistas de receptores CB2, em meio de cultura contendo TAt, apresentam progressivas deformidades digitiformes na superfície celular que levam à destruição das mesmas. Já as submetidas ao TCH e aos agonistas CB2, mantem sua membrana estabilizada [2].
![Efeito inibidor da adesividade e consequente morte celular de células monocyte-like após 2 horas de tratamento com THC e CP55,940 agonista canabinoide do receptor CB2. (Microscopia eletrônica de varredura) [PubMed] http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4089388/](https://dev.amame.org/wp-content/uploads/2016/08/AIDS5.jpg)

O consumo de cannabis é comum entre as pessoas que vivem com o vírus HIV, tanto para fins recreativos quanto medicinais, e não demonstrou interferir na adesão ao tratamento antirretroviral medicamentoso, demostrou estudo canadense realizado no Centre for Excellence in HIV/AIDS St. Paul’s Hospital em Vancouver [4].
Enquanto há uma crescente evidência pré-clínica dos efeitos imunomoduladores e antiviral dos canabinoides, seus possíveis efeitos sobre a infecção pelo HIV em seres humanos são, em grande parte, desconhecidos. Estudo produzido pelo British Columbia Centre for Excellence in HIV/AIDS, St. Paul’s Hospital, em Vancouver no Canada, também publicado em março de 2015 relatou o monitoramento da carga viral de 88 pacientes HIV positivos sem tratamento antirretroviral prévio, infectados há mais de 1 ano e recrutados entre 1996 e 2012, constatou uma redução, estatisticamente significativa, de aproximadamente 12% da carga viral nos usuários de cannabis fumada diariamente [5].
