A anorexia nervosa é um transtorno mental grave de base biológica com altos níveis de mortalidade atingindo 20% nos casos mais graves, morbidade física e psicológica e menor qualidade de vida. É uma das principais causas de anos de vida perdidos por morte ou deficiência em mulheres jovens. As intervenções psicoterapêuticas são o tratamento de escolha, mas os resultados da psicoterapia dependem criticamente do estágio da doença. A resposta ao tratamento em adultos com uma forma crônica da doença é fraca e o abandono do tratamento é alto. Apesar da gravidade da doença, a base de evidências para o tratamento psicológico de adultos com anorexia nervosa é extremamente limitada e ainda não existe um tratamento adequado [1].
Estudo dinamarquês, publicado em 2014, avaliou o uso de Dronabinol® (THC sintético) no tratamento da anorexia nervosa. Vinte e cinco mulheres, maiores de idade, portadoras do diagnóstico há mais de 5 anos, foram randomizadas (distribuídas aleatoriamente) para receber Dronabinol® 2,5mg duas vezes ao dia ou placebo por um período curto de apenas 4 semanas. Os resultados mostraram ganho médio de peso de 0,73kg que foi estatisticamente significativo [2]. Um período maior de tratamento deverá proporcionar resultados ainda mais expressivos.
O Sistema Endocanabinoide está intimamente relacionado com a sensação de fome e apetite. Resultados positivos também foram observados, através dos aumentos significativos nos níveis plasmáticos de grelina e leptina (hormônios do apetite), e diminuição de em PYY (inibidor do apetite) [3] o que contribui para melhoria do apetite e ganho de peso em pacientes portadores do vírus HIV. O apetite também melhora nos pacientes submetidos à quimioterapia para tratamento de câncer [4].
O uso de extrato oral rico em THC, a ser produzido pela AMA+ME, terá um grande potencial para auxilio no tratamento da anorexia nervosa e demais perdas do apetite relacionadas às outras condições críticas de saúde.