Existem evidências da presença de níveis elevados de endocanabinoides (anandamida e o 2-araquidonoilglicerol) e substâncias precursoras de endocanabinoides no trato digestivo. Estudos imunohistoquímicos realizados na Universidade de Nápoles, Itália, demonstraram a presença de receptores CB1 nos plexos nervosos existentes na camada muscular e submucosa ao longo do trato digestivo. A ativação dos receptores CB1 produz o relaxamento do esfíncter esofágico inferior, inibe a motilidade gástrica e secreção ácida, bem como a motilidade intestinal e secreção ao longo do tubo digestivo. Este efeito é determinado pela redução da liberação de acetilcolina pelos nervos entéricos, por outro lado, endocanabinoides também interagem com outros receptores vaniloides VR1 que promovem a hipermotilidade intestinal [1]. Muito ainda precisa ser descoberto sobre o papel do sistema endocanabinoide no trato gastrointestinal tanto no campo da fisiologia quanto no campo da patologia.
Estudo sul coreano demostrou aumento de células apoptóticas em colônias de células de tumores gástricos resistentes ao fluorouracil, quimioterápico utilizado em tratamento de tumores malignos gastrointestinais, quando submetidas ao tratamento com agonista canabinoide [2]. Outro quimioterápico muito utilizado para tratamento de tumores gastrointestinais é o paclitaxel (Taxol™). Grupo de pesquisadores da universidade de Tóquio confirmou o efeito benéfico da interação entre a adição anandamida à terapia com paclitaxel [3].
Em outro estudo sul coreano, investigou-se os modos e mecanismos moleculares da morte celular programada por CBD em células de câncer gástrico. Demonstrou-se pela primeira vez que o CBD induz a morte celular por apoptose por XIAP (Proteína inibidora da apoptose)/ Smac (segundo ativador da caspase) derivado da mitocôndria. que se liberado no citoplasma induz a cascata de apoptose. Este mecanismo antineoplásico foi demonstrado experimentalmente “in vitro” e “in vivo”[4].
Estudo chinês, realizado na Binzhou Medical University, Yantai 264003, além de identificar que o CBD está relacionado com o aumento das caspases intracelulares contribuindo pra apoptose, descreveu-se também a inibição, induzida pelo CBD, dos níveis de CDK2 e ciclina E, através da via de sinalização ATM / p53 / p21, resultando assim na parada do ciclo celular na Fase Go.[5]