Doença neurológica rara, 3 a 7 casos por 100.000 habitantes, neurodegenerativa, de caráter hereditário autossômico dominante, evolutiva que se manifesta por causar movimentos corporais anormais e falta de coordenação, também afetando várias habilidades mentais e alguns aspectos de personalidade. Assim como na síndrome de Tourette, a síndrome de Huntington é caracterizada por perda de neurônios nos gânglios basais do cérebro.

Nesta região, a presença abundante de receptores canabinoides CB1 determina a importância do sistema endocanabinoide na fisiopatologia e controle destas síndromes específicas. A perda ou diminuição dos receptores CB1 está relacionada à piora na manifestação dos sintomas [1]. O uso de canabinoides para ativação dos receptores CB1, assim como a anandamida, um endocanabinoide, é capaz de aliviar a hipercinesia e deve ser iniciado precocemente quando ainda não ocorreu perda expressiva de neurônios ricos em receptores CB1 [2].

Estudos em modelos experimentais envolvendo canabinoides e Huntington mostram resultados promissores e estimulam estudo clínicos envolvendo cannabis e seus derivados canabinoides, ainda praticamente inexistentes [3]
OPINIÃO AMA+ME
O prognóstico da síndrome de Huntington é muito reservado, o óbito acontece precocemente consequente a complicações respiratórias decorrentes da limitação progressiva de mobilidade. Antes de chegar a esse ponto, o pacientes sofrem muito com hipercinesias, discinesias e preconceito. A introdução suplementar de um extrato de cannabis, na dieta de um paciente portador de Huntington, pode favorecer a qualidade de vida e, quem sabe, melhorar o prognóstico. Assim como na esclerose múltiplas, síndrome de Tourette e demais doenças neurodegenerativas, o cultivo doméstico, pode ajudar a melhorar, substancialmente, a vida dessas pessoas.